
Um post de Matheus Tavares, relatando a conquista do seu “primeiro emprego” aos 27 anos, viralizou nas redes sociais e desencadeou um amplo debate sobre a informalidade, a trajetória profissional e a existência de uma idade ideal para iniciar a carreira. O caso evidenciou a distinção entre trabalhar e ter um emprego formal, além dos desafios enfrentados por quem busca transitar da informalidade para o mercado tradicional.
Inicialmente, o jovem explicou que a mensagem se referia ao seu primeiro vínculo com uma empresa, mesmo que como pessoa jurídica (PJ), e não à sua primeira experiência de trabalho. Matheus detalhou que, ao longo dos anos, acumulou diversas ocupações informais, atuando como office-boy, fotógrafo, garçom, vendedor, corretor, motoboy, motorista de aplicativo, mecânico, camelô, trabalhou com manutenção de celulares e chegou a empreender.
Trajetórias profissionais mais diversas
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que não existe mais uma idade definida para começar uma carreira. As trajetórias profissionais tornaram-se mais diversas e menos lineares, refletindo mudanças estruturais no mercado de trabalho brasileiro.
O economista Bruno Imaizumi aponta que o atual aquecimento do mercado de trabalho, com o desemprego em baixa histórica, impulsiona todos os tipos de ocupação, incluindo as formais. Ele destaca que, apesar do avanço da formalização, ainda há um longo caminho a percorrer.
O envelhecimento da população, o maior tempo dedicado aos estudos e a redefinição do conceito de sucesso profissional contribuem para que entradas mais tardias no mercado formal se tornem cada vez mais comuns. A ideia de um “timing ideal” para iniciar a carreira perde força diante da multiplicidade de caminhos.
Validando a experiência informal
A história de Matheus também joga luz sobre a dificuldade de validar experiências adquiridas fora do regime CLT. Por anos, ele acumulou aprendizados e responsabilidades, mas enfrentou barreiras em processos seletivos. “Eu era barrado no RH antes de falar com o gestor técnico”, relatou.
Empresas mais modernas têm migrado para modelos de recrutamento que valorizam competências reais em detrimento do histórico formal. A ausência de carteira assinada, embora possa gerar questionamentos, não é mais um impeditivo absoluto, sendo a consistência e a capacidade de gerar resultados os fatores mais relevantes.
Informalidade como diferencial
Se antes a informalidade era vista como um ponto fraco, hoje pode se tornar uma vantagem competitiva, dependendo de como o profissional apresenta sua trajetória. Habilidades como autonomia, gestão do tempo e relacionamento com o cliente, desenvolvidas em trabalhos como PJ ou freelancer, são cada vez mais valorizadas.
A chave está em traduzir essas vivências para a linguagem do mercado, demonstrando não apenas as atividades realizadas, mas principalmente o impacto e os resultados alcançados. A percepção de que trajetórias não tradicionais significam estar “atrasado” vem perdendo espaço, especialmente em ambientes empresariais mais competitivos e inovadores.
Com informações do G1


