Uma nova plataforma desenvolvida pelo Instituto Socioambiental e de Pesquisa (ISPN) promete revolucionar o rastreamento de cadeias de commodities ao cruzar dados de diversas fontes. A ferramenta visa aumentar a transparência no agronegócio brasileiro e incentivar o consumo consciente, conectando informações sobre a produção de produtos como soja, café, cacau, palma, borracha e itens de origem bovina com conflitos sociais e ambientais.
Transparência e consumo consciente impulsionados pela tecnologia
A plataforma é especialmente valiosa para empresas que atendem à crescente demanda por produtos que não causem impactos negativos em comunidades locais ou no meio ambiente. A ferramenta, disponível no site do ISPN, integra bancos de dados de 15 entidades nacionais e estrangeiras, cobrindo áreas como direitos humanos, meio ambiente e sociedade civil. As informações remontam a 2002 e terão atualizações anuais, com possibilidade de incorporar novas bases de dados.
Análises aprofundadas sobre conflitos no campo
O cruzamento de informações permite análises detalhadas sobre disputas por água e terra, além de ocorrências de trabalho escravo, violência, contaminação ambiental e uso de recursos hídricos. A base de dados de conflitos sociais é fornecida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Análises preliminares indicam que a maioria dos municípios brasileiros registra algum tipo de conflito, e violações de direitos humanos são registradas em quase todo o país.
Desmatamento e produção de commodities: uma relação perigosa
Os cruzamentos de dados evidenciam uma forte associação entre desmatamento e a produção de commodities, frequentemente ligada a conflitos por terra, água e diversas formas de violência. Em áreas com atividade de mineração, a plataforma também aponta para a ocorrência comum de conflitos hídricos.
Identificação de irregularidades fundiárias
A ferramenta também possibilita identificar tipos específicos de irregularidades fundiárias, como a chamada ‘grilagem verde’. Essa prática ocorre quando áreas conservadas, ocupadas por comunidades tradicionais, são declaradas como reserva legal de grandes propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Apresentação a representantes internacionais
A plataforma será apresentada no dia 28 de abril a representantes das embaixadas de França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca, em um encontro presencial. Outros países também participarão remotamente, demonstrando o interesse global por maior rastreabilidade e sustentabilidade nas cadeias produtivas.
Com informações da Agência Brasil



