Preço do diesel cai pela quarta vez em cinco semanas e acumula recuo de 4,5%

O preço do litro do diesel no Brasil registrou a quarta queda em um período de cinco semanas, acumulando um recuo de 4,5%. Apesar da tendência de baixa recente, o valor do combustível ainda reflete os aumentos provocados por conflitos no Oriente Médio.

Impacto da guerra e recuperação de preços

Na semana anterior aos ataques americanos e israelenses ao Irã, em 28 de fevereiro, o diesel era vendido a R$ 6,09. O preço atingiu o pico de R$ 7,58 na semana de 11 de abril. O diesel S500 seguiu trajetória semelhante, caindo de R$ 7,45 para R$ 7,05, uma retração de 5,37%, mas ainda com alta de 17% em relação ao período pré-conflito.

O S10, que representa cerca de 70% do consumo nacional, é o tipo mais utilizado. Ele emite 50 vezes menos enxofre que o S500 (10 partes por milhão). Veículos leves e pesados fabricados a partir de 2012 foram projetados para utilizar o S10.

Fatores que influenciam o preço

A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, desestabilizaram a cadeia logística global. Isso levou à redução da oferta e ao aumento dos preços do barril Brent, que saltou de US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a picos de US$ 120.

O Brasil, embora produtor, não é autossuficiente em diesel e importa aproximadamente 30% do seu consumo, o que o torna vulnerável às flutuações internacionais.

Medidas de contenção de preços

A queda recente nos preços coincide com o início da subvenção do governo a produtores e importadores de diesel, a partir de 1º de abril. O subsídio pode chegar a R$ 1,12 por litro para o diesel nacional e R$ 1,52 para o importado, condicionado ao repasse do desconto ao consumidor.

Outra medida adotada foi a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível. Segundo o pesquisador Iago Montalvão, do Ineep, essas ações, juntamente com a atuação da Petrobras, são cruciais para a recente queda. A Petrobras, com sua forte participação no mercado (entre 75,74% e 78,23% de fornecimento), conseguiu absorver parte do aumento do petróleo, evitando repasses maiores aos consumidores.

A Petrobras reajustou o diesel em R$ 0,38 duas semanas após o início da guerra. Montalvão aponta que, mesmo com o Brent ainda em patamares elevados (cotado a US$ 104 na tarde de segunda-feira, 11), os agentes do mercado se ajustaram à nova realidade, levando à desaceleração dos aumentos e, em alguns casos, à redução de preços.

Com informações da Agência Brasil

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