
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira (25) indica que o Banco Central (BC) não prevê mais cortes na taxa básica de juros, a Selic, no curto prazo. A decisão reflete o aumento considerável das incertezas no cenário internacional e a necessidade de atenção às contas públicas brasileiras.
Fim de ciclo de cortes
Até o início de conflitos geopolíticos, o cenário indicava um arrefecimento da inflação e crescimento econômico compatível com a política monetária. Isso permitiu ao Copom sinalizar, em janeiro, o início de um ciclo de redução da Selic, embora mantendo um caráter restritivo.
Incertezas globais e domésticas em foco
No entanto, o agravamento das tensões geopolíticas e novas incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos elevaram consideravelmente o cenário de risco global, segundo o colegiado.
Internamente, o BC reforça que a saúde das contas públicas é crucial para o controle da inflação. A política fiscal influencia a demanda e a confiança dos investidores na dívida brasileira.
Política fiscal e juros neutros
O Copom destacou que uma política fiscal contracíclica é essencial para reduzir o “prêmio de risco”. A incerteza sobre o pagamento da dívida pública leva o mercado a exigir juros mais altos.
A ata alerta que o esmorecimento em reformas estruturais, disciplina fiscal, aumento de crédito direcionado e incertezas sobre a dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Isso impactaria negativamente a política monetária e o custo da desinflação em termos de atividade econômica.
A meta de inflação do Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Para 2024, a previsão do mercado para o IPCA subiu para 4,17%, segundo o BC. Analistas estimam que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano.
Com informações do Infomoney


