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Banco Central reduz Selic em 0,25 ponto, para 14,75%, e sinaliza cautela nos próximos passos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (18) cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), definindo-a em 14,75% ao ano. Esta marca a primeira redução da taxa básica de juros desde maio de 2024, encerrando um período de quase dois anos de estabilidade.

Juros caem após período de alta e estabilidade

A decisão reflete uma mudança nas projeções recentes, influenciada pela alta do petróleo, que ultrapassou os US$ 100 por barril. Na reunião anterior, em janeiro, o Copom já havia antecipado a possibilidade de iniciar a redução dos juros neste encontro.

A expectativa majoritária do mercado, que antes apontava para um corte de 0,50 ponto percentual, deu lugar a uma previsão de 0,25 ponto. Na tarde de quarta-feira, a curva de juros indicava 90% de probabilidade para o corte de 0,25 p.p., contra 10% de chance de manutenção da taxa.

Contexto da decisão

Antes deste corte, a Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. Esse patamar foi alcançado após um ciclo de alta de 4,50 pontos a partir de setembro de 2024, o segundo maior em 20 anos, superado apenas pelo ciclo de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022.

Cautela e incertezas globais guiam o futuro da Selic

Em seu comunicado, o Copom enfatizou a necessidade de “serenidade e cautela” para os próximos passos na calibração dos juros. O Comitê destacou que as decisões futuras dependerão de novas informações que tragam clareza sobre a extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos na inflação.

O ambiente externo tornou-se mais incerto devido ao acirramento de conflitos geopolíticos, afetando as condições financeiras globais e exigindo prudência de países emergentes. A volatilidade nos preços de ativos e commodities é uma preocupação central.

Cenário doméstico e inflação

No cenário doméstico, os indicadores apontam para uma moderação no crescimento da atividade econômica, embora o mercado de trabalho mostre resiliência. A inflação, tanto cheia quanto subjacente, apresentou arrefecimento, mas permanece acima da meta.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027, segundo a pesquisa Focus, continuam acima da meta, em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção do Copom para o terceiro trimestre de 2027 é de 3,3%.

Riscos para a inflação

Os riscos para a inflação se intensificaram com os conflitos no Oriente Médio. Riscos de alta incluem desancoragem das expectativas, maior resiliência da inflação de serviços e políticas econômicas com impacto inflacionário. Por outro lado, riscos de baixa englobam uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica, uma desaceleração global pronunciada e uma redução nos preços de commodities.

Política fiscal e projeções

O Copom continua monitorando os impactos da política fiscal doméstica na política monetária e nos ativos financeiros, reforçando a postura de cautela. Indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração econômica, com expectativas desancoradas e projeções de inflação elevadas.

O Comitê avalia os efeitos prospectivos dos conflitos no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities. As projeções de inflação apresentam distanciamento adicional da meta, e a incerteza sobre essas projeções aumentou significativamente.

O Copom considerou o período prolongado de juros em patamar contracionista como propício para iniciar o ciclo de calibração, visando assegurar a convergência da inflação à meta. A decisão de reduzir a Selic para 14,75% a.a. é vista como compatível com a estratégia de estabilidade de preços, suavização das flutuações da atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Votaram por esta decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Com informações do Infomoney

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