Boulos critica “banditismo” no aumento do diesel e garante diálogo com caminhoneiros

O ministro Guilherme Boulos classificou o aumento do preço do diesel nos postos como “banditismo” e afirmou que o governo está atuando energicamente para conter a escalada especulativa. A declaração surge em meio a preocupações com o impacto da alta do petróleo no mercado internacional na inflação brasileira.

Diálogo com caminhoneiros e ameaça de greve

Boulos confirmou um encontro com lideranças de movimentos de caminhoneiros no Palácio do Planalto para a próxima quarta-feira (25). A reunião acontece após a categoria, que chegou a ameaçar greve devido ao aumento do combustível, decidir por não paralisar as atividades. Segundo o ministro, a decisão de abandonar a greve ocorreu após o compromisso do governo em atender às demandas dos transportadores.

“Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro”, declarou Boulos.

Operações contra postos e distribuidoras

O ministro revelou que a Polícia Federal (PF) e órgãos de defesa do consumidor estão realizando operações diárias em postos de combustíveis e distribuidoras. Segundo ele, já foram realizadas operações em 400 postos nas últimas 48 horas, com lacrações e aumento de multas. Boulos adiantou que o próximo passo pode ser a prisão de representantes envolvidos em práticas especulativas.

Piso do frete e MP 1.343/2026

Outra demanda atendida pela categoria foi o cumprimento do piso mínimo do frete, estabelecido pela Medida Provisória (MP) 1.343/2026, publicada na última quinta-feira (19). A MP pune transportadoras que não cumprem os valores estabelecidos. Boulos criticou a atitude de grandes empresas que desrespeitam o piso, mesmo diante de multas que ultrapassam R$ 400 milhões nos últimos três meses.

A MP prevê que, em caso de reincidência, as empresas podem ter o registro de funcionamento cassado. O texto foi negociado com os caminhoneiros.

Contexto internacional e preços do petróleo

O aumento da tensão no Oriente Médio, com a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tem pressionado a oferta de petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência internacional, é negociado por volta de US$ 110 (cerca de R$ 580), um aumento considerável em relação aos valores anteriores ao conflito.

No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último sábado (14). Contudo, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o impacto nas bombas foi amenizado pela desoneração de tributos promovida pelo governo. Adicionalmente, o governo propôs aos estados a redução do ICMS sobre o diesel importado.

Com informações do Infomoney

Rolar para cima