A crise institucional sem precedentes no Banco de Brasília (BRB), criado em 1964, tem gerado profunda apreensão entre funcionários, clientes e aposentados. A prisão do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, em novembro, sob suspeita de envolvimento em irregularidades financeiras, intensificou a desconfiança e a busca por respostas.
Funcionários sob pressão
Daniel Oliveira, representante do Sindicato dos Bancários, relatou que os trabalhadores estão sendo cobrados para dar satisfações sobre fatos que fogem de seu controle. “Nossos empregos também estão em jogo”, afirmou, destacando o sentimento de “indignação e apatia” entre os colegas. Segundo ele, o sindicato já havia denunciado operações suspeitas com o Master ao Banco Central e à CVM em novembro de 2024.
Aposentados e clientes buscam segurança
Cerca de 3 mil aposentados do BRB, cujos planos de saúde e previdência complementar dependem da saúde financeira da instituição, também manifestam ansiedade. A Previdência BRB, por sua vez, assegura ter um patrimônio de mais de R$ 4,39 bilhões, segregado dos recursos de patrocinadores e instituidores, e que sua gestão é autônoma e independente.
Rebaixamento de nota e falta de transparência
A falta de clareza sobre o impacto da compra de ativos do Master e a ausência de um plano de recuperação definido levaram a agência de classificação Moody’s a rebaixar a nota do BRB. A agência alertou que o banco pode precisar de uma “injeção relevante de capital” para honrar seus compromissos. O economista César Bergo, da UnB, criticou a demora na divulgação do balanço de 2025 e outros documentos contábeis, o que agrava a crise de confiança e sujeita o banco a multas.
Críticas à ausência do novo presidente
O novo presidente do BRB, Nelson de Souza, frustrou deputados da Assembleia Legislativa do Distrito Federal ao não comparecer a uma reunião para tratar da crise. Souza alegou a necessidade de aguardar a conclusão de auditorias e a análise do balanço contábil de 2025. A ausência gerou críticas, com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Thiago Manzoni (PL), afirmando ser um “desrespeito com o cidadão do DF”.
Caminhos para a crise
O economista César Bergo apresentou quatro saídas possíveis para a crise: capitalização com recursos públicos, empréstimos do FGC ou de outros bancos, federalização do banco distrital ou privatização. Ele ressaltou que “salvar o BRB é melhor que deixá-lo quebrar” e que a decisão deve ser anunciada rapidamente.
A governadora Celina Leão, em nota, afirmou que os fatos envolvendo Paulo Henrique Costa estão sob análise do Judiciário e que “todas as providências cabíveis foram adotadas, com total colaboração junto às autoridades competentes”.
Com informações da Agência Brasil



