
A escalada do conflito no Oriente Médio, com ataques a infraestruturas de gás e petróleo e ameaças de retaliação, provocou um forte aumento nos preços da energia e levou as bolsas mundiais a operarem em queda nesta quinta-feira (19). O temor de uma nova onda inflacionária global leva bancos centrais a manterem cautela sobre possíveis cortes nas taxas de juros.
Mercados em Queda e Energia em Alta
As principais bolsas europeias registraram perdas significativas. Frankfurt liderou os recuos, com uma queda de 2,56%, seguida por Milão (-2,46%) e Londres (-2,19%). Paris também operou em baixa, com o índice CAC 40 caindo 1,83%. Wall Street, nos Estados Unidos, também abriu em território negativo, com contratos futuros indicando quedas para os principais índices.
O preço do petróleo Brent, referência global, subia 6,09%, negociado a US$ 113,92 por barril, após atingir um pico de US$ 118,03 mais cedo. O contrato futuro de gás natural TTF, referência na Europa, disparou 17,47%, alcançando € 64,21 por megawatt-hora.
Escalada de Ataques e Temores Globais
Importantes campos de petróleo e gás no Oriente Médio foram alvos de ataques nas últimas 24 horas, aumentando os receios de uma crise de produção e abastecimento. O analista John Plassard, do Cité Gestion Private Bank, observou que a escalada geopolítica atingiu um novo patamar.
Neil Wilson, analista da Saxo Markets, destacou que os mercados de ações estão sob pressão devido ao medo, aos ataques a instalações de GNL (gás natural liquefeito) no Catar e à postura do Federal Reserve (Fed) de não ter pressa em intervir. Ele citou ataques de Israel ao campo de gás de South Pars, no Irã, e a retaliação de Teerã contra o terminal de GNL de Ras Laffan, no Catar, além de ameaças a outros países do Golfo. Duas refinarias no Kuwait também foram incendiadas após um ataque com drones.
Bancos Centrais Mantêm Cautela
O Banco da Inglaterra (BoE) manteve sua taxa básica de juros em 3,75%, seguindo a decisão do Fed. O presidente do BoE, Andrew Bailey, alertou que a guerra no Oriente Médio elevou os preços da energia globalmente, o que contribuirá para contas de energia mais altas para as famílias.
Na quarta-feira, o Fed manteve os juros inalterados, mas o presidente Jerome Powell ressaltou que as repercussões dos eventos no Oriente Médio sobre a economia dos EUA são incertas e que o aumento dos preços da energia elevará a inflação geral no curto prazo.
Expectativa para o BCE
Os mercados aguardam a reunião do Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira. A expectativa é de que as taxas de juros na zona do euro possam subir, diante da alta dos preços do petróleo e dos riscos de inflação. A mensagem da presidente Christine Lagarde será analisada com atenção.
Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote, prevê que a declaração do BCE provavelmente será restritiva, podendo indicar um aperto da política monetária ainda este ano, dependendo da duração do conflito e seu impacto nos preços do petróleo. O conflito também levou a uma paralisação parcial do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, impactando empresas consumidoras de energia e gerando preocupações sobre um cenário de crescimento mais fraco combinado com inflação mais alta.
Com informações do G1


