Déficit nas contas externas do Brasil sobe para R$ 6 bilhões em março

O déficit nas transações correntes do Brasil atingiu R$ 6 bilhões em março deste ano. Apesar do aumento em relação ao mês anterior, o Banco Central (BC) ressalta que o cenário geral das contas externas permanece robusto, com projeções de redução do déficit acumulado em 12 meses a partir de setembro de 2025.

Financiamento com Investimentos

O resultado negativo nas contas externas foi coberto por capitais de longo prazo, com destaque para os Investimentos Diretos no País (IDP). Em março, o IDP somou US$ 6,037 bilhões, ligeiramente abaixo dos US$ 6,295 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O IDP é considerado a forma mais vantajosa de financiamento, pois os recursos são aplicados no setor produtivo e tendem a ter caráter de longo prazo.

Nos 12 meses encerrados em março, os investimentos diretos totalizaram US$ 75,660 bilhões, representando 3,18% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor é comparável aos US$ 75,918 bilhões (3,24% do PIB) do mês anterior e aos US$ 74,078 bilhões (3,45% do PIB) do período encerrado em março de 2025.

Investimentos em Carteira e Reservas

Por outro lado, os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram uma retirada líquida de US$ 2,867 bilhões em março, majoritariamente em títulos de dívida. Contudo, no acumulado de 12 meses até março, esses investimentos apresentaram ingressos líquidos de US$ 28,4 bilhões.

O estoque de reservas internacionais do país fechou março em US$ 362,002 bilhões, uma redução de US$ 9,072 bilhões em relação ao mês anterior.

Balança Comercial e Contas Específicas

Em março, as exportações de bens alcançaram US$ 31,738 bilhões, um aumento de 9,5% em relação a março de 2025. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 26,118 bilhões, com alta de 19,9% no mesmo comparativo.

Esse desempenho resultou em um superávit na balança comercial de US$ 5,620 bilhões em março, revertendo o saldo negativo de US$ 7,219 bilhões observado em março de 2025.

Déficits em Serviços e Renda Primária

O déficit na conta de serviços, que abrange viagens, transporte e outros serviços, foi de US$ 4,785 bilhões em março, superior aos US$ 4,216 bilhões de março de 2025.

A conta de renda primária, referente ao pagamento de lucros, dividendos e juros, registrou um déficit de US$ 7,384 bilhões em março, um aumento de 17,8% em comparação com os US$ 6,267 bilhões de março de 2025. Essa conta é tradicionalmente deficitária devido ao maior volume de investimentos estrangeiros no Brasil.

A conta de renda secundária apresentou um superávit de US$ 512 milhões em março, contra um resultado positivo de US$ 335 milhões em março de 2025.

Com informações da Agência Brasil

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