Escola de baristas em SP adota folga extra e registra alta de 35% no faturamento

Enquanto o debate sobre a jornada de trabalho avança no Brasil, a Coffe Lab, escola de baristas e gestão de cafeterias em São Paulo, implementou um modelo de trabalho com quatro dias de atuação e três de descanso (4×3). A mudança, iniciada em 2025, resultou em um aumento de 35% no faturamento da empresa em um ano, contrastando com a queda de 22% observada no setor de alimentação no mesmo período.

A fundadora da Coffe Lab, Isabela Raposeiras, relata que a aposta na produtividade, em vez de longas horas de trabalho, trouxe resultados significativos. Funcionários mais descansados demonstram maior concentração e, consequentemente, maior rendimento.

Benefícios da escala 4×3

A transição ocorreu em julho de 2025, quando a escola deixou o sistema 5×2 com 44 horas semanais para adotar a escala 4×3, totalizando 40 horas semanais. A empresária destaca que a produtividade aumentou consideravelmente, mesmo com o mesmo cardápio e preços, e sem ampliação do espaço físico.

“A galera está mais descansada. Nesse ramo de comércio, de alimentação, principalmente hotelaria, a concentração, a atenção, é muito importante para a gente vender mais. Então, a galera descansada, feliz com vida para além do trabalho, rende muito mais, atende melhor”, afirmou Raposeiras.

Redução da rotatividade e custos

Além do impulso no faturamento, a Coffe Lab observou uma drástica redução na rotatividade de funcionários, com um índice de apenas 8%. Isso se traduz em economia com rescisões e encargos trabalhistas.

A empresária também pontua a diminuição de faltas e atestados médicos, o que eleva a capacidade de venda e a consistência no atendimento, já que a equipe se torna mais experiente e engajada.

Impacto na vida dos funcionários

Tábata Lima de Oliveira, 35 anos, funcionária da Coffe Lab, compartilha sua experiência positiva com a nova escala. Antes, em um regime 6×1, sua única folga era dedicada quase inteiramente ao descanso, com pouco tempo para lazer, estudos ou família.

“Eu já tive [síndrome de] Burnout em um trabalho anterior. Além de tudo, eu não dormia, tinha que ir trabalhar e tomava muita medicação, sentia muito sono durante o trabalho, e tinha muitas crises de pânico”, relatou.

Com a escala 4×3, Tábata relata ter mais tempo para cuidar da saúde física e mental, investir em estudos e desfrutar de momentos de lazer e viagens, algo que antes era inviável.

Com informações da Agência Brasil

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