Guerra no Oriente Médio pressiona dólar e juros no Brasil; entenda o impacto

A guerra no Oriente Médio tem gerado ondas de incerteza nos mercados globais, impactando diretamente a economia brasileira. Um dos reflexos mais sentidos é a pressão sobre o dólar e a consequente cautela do Banco Central (BC) na condução da política de juros.

Dólar em alta e a busca por segurança

Em cenários de instabilidade internacional, o dólar tende a se valorizar. Isso ocorre porque investidores buscam ativos mais seguros, como a moeda americana, em detrimento de aplicações mais arriscadas, como ações na bolsa de valores.

“O dólar normalmente se valoriza em momentos de incerteza e cautela internacional, o que pode aumentar a pressão inflacionária causada por insumos importados”, explica Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office.

Banco Central e a decisão sobre os juros

Nesta quarta-feira (data da notícia), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano. Foi o primeiro corte desde maio de 2024.

No entanto, o BC sinalizou que novos cortes futuros podem ser adiados. O conflito no Oriente Médio foi citado quatro vezes no comunicado do Copom como um fator de incerteza para as próximas decisões.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, afirmou o Copom.

Impacto na inflação e no consumo

O BC reforçou que a guerra no Oriente Médio afeta a cadeia global de suprimentos e os preços de commodities, influenciando a inflação no Brasil. O comitê aguardará novos desdobramentos para avaliar a duração e os efeitos do conflito na economia.

“Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, disse o comunicado.

Juros mais altos encarecem o crédito e tendem a diminuir o consumo e os investimentos por parte de famílias e empresas. Esse movimento esfria a atividade econômica, o que, por sua vez, pode reduzir o ritmo de crescimento como forma de conter a inflação.

Com informações do G1

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