
O Brasil fechou nesta quarta-feira (18) a contratação de 19 gigawatts (GW) em novos contratos para usinas de geração termelétrica e hidrelétrica, em um leilão que se tornou o maior já realizado pelo setor de energia elétrica do país. Grandes empresas como Petrobras (PETR4), Eneva (ENEV3), Axia (AXIA3) e Copel (CPLE3) garantiram negócios neste certame.
Custos e críticas
Os projetos licitados, que preveem investimentos totais estimados em R$ 64,5 bilhões, deverão somar cerca de R$ 40 bilhões ao ano nas contas de luz. Entidades representativas dos consumidores de energia criticaram os custos decorrentes dos empreendimentos.
A Frente Nacional de Consumidores de Energia (FNCE) classificou o leilão como um “fracasso” em termos de competição, estimando um aumento médio de pelo menos 10% nas tarifas. “O volume contratado de 19 GW, praticamente sem nenhuma competição, é absurdo e vai representar um custo muito pesado na conta de luz nos próximos anos”, afirmou o presidente da Frente, Luiz Eduardo Barata.
Segurança energética e usinas despacháveis
A nova capacidade assegurada, equivalente a quase 10% do parque instalado atual, visa garantir a segurança do fornecimento de energia a partir deste ano. O crescimento das energias eólica e solar na matriz energética brasileira demanda mais usinas despacháveis, capazes de operar rapidamente para suprir oscilações na produção dessas fontes intermitentes.
O leilão viabilizou a recontratação de termelétricas existentes que operavam na modalidade “merchant” (sem contrato), mas a custos mais elevados para os consumidores. O governo, por sua vez, minimizou as críticas, apostando em maior “eficiência” operativa com as novas usinas.
Empresas participantes e fontes de energia
Diversas usinas a gás foram contratadas, incluindo empreendimentos da Âmbar Energia (holding J&F), Petrobras, Eneva, Karpowership e New Fortress Energy NFE.O. A contratação também incluiu novas usinas a carvão mineral da Eneva e da Diamante Energia, o que gerou surpresa e críticas de ambientalistas.
Da fonte hidrelétrica, empresas como Axia (ex-Eletrobras), Engie Brasil, Copel e a chinesa SPIC garantiram contratos para inclusão de novas máquinas em suas usinas.
Recorde de contratação
Este leilão superou o recorde anterior de 2009, quando o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, com 11 GW, foi leiloado. Um certame de capacidade realizado em 2021 negociou 4,6 GW em contratos, com R$ 5,98 bilhões em aportes.
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Gustavo Ataíde, considerou o leilão “exitoso”, prevendo economia aos consumidores devido a novos critérios operacionais para as termelétricas. O presidente da EPE, Thiago Prado, destacou a realocação de custos de usinas, que antes recaíam apenas aos consumidores regulados, para uma base maior de consumidores via encargo.


