A liquidação extrajudicial de instituições financeiras ligadas ao conglomerado Master, que culminou na retirada dessas entidades do mercado, não gerou impactos significativos no sistema financeiro nacional. Segundo o Banco Central (BC), os mecanismos de proteção existentes, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), foram acionados de forma eficaz, demonstrando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema.
Liquidação do Master e o papel do FGC
As avaliações constam na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central, referente à reunião de 11 e 12 de março. O BC destacou que o FGC, uma associação privada sem fins lucrativos que visa à manutenção da estabilidade do sistema financeiro, garantiu a proteção dos recursos de depositantes e investidores afetados.
Nove instituições financeiras ligadas ao Master tiveram suas liquidações decretadas, incluindo o Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A, Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, Reag Trust, Will Financeira, Banco Pleno, Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S/A e Banco Master Múltiplo S/A. A Polícia Federal investiga irregularidades no conglomerado.
Antes da crise, o FGC possuía um patrimônio de R$ 160 bilhões, com R$ 122 bilhões em recursos líquidos. As liquidações do conglomerado, incluindo o Master, Will Bank e Pleno, estão consumindo R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores, segundo estimativas do próprio fundo. Para reforçar o FGC, o BC anunciou que bancos direcionarão recursos de depósitos compulsórios, com potencial injeção de R$ 30 bilhões até 2026.
Cenário global e riscos futuros
Apesar da solidez interna, o Banco Central alertou para os riscos presentes no cenário internacional. A guerra no Oriente Médio e outras incertezas geopolíticas podem levar à reprecificação de ativos financeiros globais, impactando preços de commodities como petróleo e a cotação do dólar.
O BC mencionou que as incertezas associadas ao reposicionamento de políticas econômicas, eventos geopolíticos e seus efeitos no crescimento e inflação se intensificaram. Questões como os níveis de equilíbrio das taxas de juros de longo prazo, a sustentabilidade fiscal de economias centrais e a valorização de ativos de risco também foram citadas.
Contudo, a autoridade monetária observou a resiliência demonstrada pelo sistema financeiro internacional, mesmo com a elevada incerteza política. A volatilidade recente concentrou-se nos preços de commodities, sem um contágio proporcional para outros ativos. O regime de câmbio flutuante continua absorvendo choques, e o sistema financeiro internacional segue em uma realocação ordenada de posições.
Com informações do G1


