Diretor brasileiro da Itaipu garante tarifa reduzida em 2027 com revisão de tratado

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio José Verri, assegurou que a expectativa é de uma tarifa reduzida para a energia da usina em 2027, após a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. O acordo, firmado em 1973, estabelece que após 50 anos haverá uma reavaliação das bases financeiras e das regras de precificação e prestação dos serviços de eletricidade.

Interesses divergentes na negociação

A geração de energia de Itaipu é dividida igualmente entre Brasil e Paraguai. Enquanto o Brasil busca reduzir o custo da energia para os consumidores, o Paraguai, que não consome toda a sua cota de 50%, tem interesse em aumentar o valor da tarifa para financiar seu desenvolvimento.

“Para nós, política pública é energia barata, porque quanto mais barata for essa energia, mais inclusão social. Energia barata é para dona de casa, para o trabalhador, para o estudante. E para indústria também”, declarou Verri. Ele reconheceu a perspectiva paraguaia, afirmando: “O Paraguai espera esse preço alto para financiar o seu desenvolvimento. Que, sob a ótica do país, não há muito a se discutir também. Coloque-se no lugar de um país que quer se desenvolver”.

Possibilidades em negociação

Uma das alternativas em discussão é a possibilidade de a cota paraguaia de energia ser vendida diretamente no mercado livre de energia do Brasil, para distribuidoras e empresas. As decisões na diretoria de Itaipu, composta por seis diretores de cada país, exigem consenso, o que demandará “muita negociação e, claro, é preciso muito cuidado no trato”, segundo Verri.

A revisão do Anexo C está sendo negociada diretamente pelas chancelarias e ministérios de Minas e Energia de ambos os países. A conclusão do processo ainda dependerá da aprovação dos parlamentos brasileiro e paraguaio.

Itaipu: gigante na geração de energia

Com 20 unidades geradoras de 700 megawatts (MW) cada, Itaipu possui uma capacidade instalada de 14 mil megawatts (MW), sendo a terceira maior usina hidrelétrica do mundo em capacidade e frequentemente líder na produção anual de energia. A usina responde por aproximadamente 8% da demanda do mercado brasileiro e 78% do paraguaio.

Modernização e expansão em andamento

A hidrelétrica está passando por um extenso processo de atualização tecnológica, iniciado em maio de 2022 e com previsão de conclusão em 2035, com investimentos totais de cerca de US$ 900 milhões. O projeto foca em equipamentos eletrônicos e sistemas computacionais, modernizando o centro de controle, unidades geradoras, subestações e almoxarifados. Equipamentos pesados e a barragem em si não estão incluídos, pois estão em boas condições e recebem manutenção rigorosa.

A Itaipu Binacional também avalia a possibilidade de aumentar sua geração de energia, seja pela instalação de duas novas turbinas, o que requer estudos de impacto socioambiental e econômico, ou pelo aumento da produtividade das unidades existentes. “Estamos preparando uma licitação para contratar um estudo internacional sobre isso”, informou Verri.

Com informações da Agência Brasil

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