Copom mantém cautela com juros diante de tensões globais e inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central adota uma postura de cautela em suas decisões de política monetária, influenciado pelas crescentes tensões globais e pela expectativa de inflação para os próximos anos. O colegiado observa a probabilidade de impactos mais duradouros nas cadeias de produção e distribuição, além dos potenciais efeitos de segunda ordem em caso de restrições na oferta de petróleo e seus derivados.

As tensões geopolíticas, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, têm afetado a navegação no Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo e fertilizantes. O Banco Central ressalta que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

Expectativas de inflação em foco

Antes da escalada das tensões, a expectativa predominante era de uma queda mais acentuada na taxa Selic. Contudo, o Copom alerta para uma possível “desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”.

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a referência oficial da inflação no Brasil, é de 4,89% para este ano. Para 2027, a projeção está em 4%, e para 2028, a expectativa subiu para 3,64% nas últimas semanas.

A autoridade monetária enfatiza que o custo para trazer a inflação de volta à meta é significativamente maior quando as expectativas do mercado estão desancoradas. Isso justifica a manutenção de uma postura restritiva para a Selic.

Taxa Selic e meta de inflação

O modelo de referência do Banco Central prevê uma alta de 4,6% para o IPCA em 2026. A taxa básica de juros, a Selic, é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação e serve de referência para as demais taxas da economia.

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, situando os limites entre 1,5% e 4,5%.

Ciclo de redução de juros sob avaliação

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O Copom iniciou um ciclo de cortes na taxa em março, em um cenário de inflação em queda. No entanto, eventos recentes, como o aumento dos preços de combustíveis e alimentos devido à guerra no Oriente Médio, complicam o cenário.

Apesar dos desafios, o colegiado considerou que os eventos recentes não impediriam a continuidade do ciclo de redução dos juros. “O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”, afirma a ata.

Com informações da Agência Brasil

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