O número de mulheres empregadas no Brasil registrou um aumento de 11%, mas a disparidade salarial em relação aos homens praticamente não apresentou alterações significativas. Em 2023, a diferença salarial era de 20,7%, e atualmente, as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens. No salário mediano de contratação, a diferença subiu de 13,7% para 14,3%, uma variação considerada estatisticamente estável.
O levantamento, que se baseia em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e abrange cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados, revela que o salário médio no país é de R$ 4.594,89, enquanto o salário contratual mediano é de R$ 2.295,36.
Participação na massa de rendimentos
A participação feminina na massa de rendimentos também cresceu, passando de 33,7% para 35,2%. Contudo, este percentual ainda é inferior à presença de mulheres no mercado de trabalho, que atinge 41,4%. Para que a participação na massa de rendimentos igualasse a representatividade no emprego, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.
A Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE destacou que, embora um aumento de 10,6% na massa de rendimentos femininos pudesse impulsionar o consumo e reduzir a diferença salarial, as empresas demonstram resistência a essas mudanças devido ao custo associado.
Avanços e desafios
O relatório aponta progressos em políticas internas das empresas, como a ampliação de jornadas flexíveis, auxílio-creche, licenças parentais estendidas e planos de cargos e salários. O número de estabelecimentos com menor desigualdade salarial também apresentou crescimento.
Apesar desses avanços, diferenças regionais persistem. Os estados com menor desigualdade salarial incluem Acre (91,9%), Piauí (92,1%) e Distrito Federal (91,2%). Em contrapartida, Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%) figuram entre os estados com maior desigualdade.
Este estudo integra a aplicação da Lei nº 14.611/2023, que estabelece a transparência salarial como ferramenta para promover a igualdade de remuneração entre homens e mulheres, além de prever medidas para combater a discriminação e ampliar a participação feminina no mercado de trabalho.
Com informações da Agência Brasil



