Ministério da Fazenda eleva projeção de inflação para 4,5% com guerra e petróleo

O Ministério da Fazenda revisou para cima a estimativa de inflação para o Brasil em 2024, elevando a projeção de 3,5% para 4,5%. A principal causa apontada pela equipe econômica é o aumento expressivo dos preços do petróleo no mercado internacional, que ultrapassaram os US$ 110 por barril devido às tensões no Oriente Médio.

Impacto do petróleo e medidas mitigadoras

Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), a disparada do petróleo e seus derivados é o fator que mais pressiona a inflação. No entanto, o governo ressalta que parte desse impacto pode ser amenizada pela valorização do real e por medidas adotadas para reduzir o repasse dos combustíveis aos consumidores.

“Parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal”, destacou o documento.

Projeção atinge teto da meta de inflação

Com a revisão, a projeção oficial de 4,5% para a inflação anual se alinha ao teto do sistema de metas contínuas de inflação, que estabelece um centro de 3% com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2027, a estimativa de inflação também foi elevada, passando de 3% para 3,5%.

PIB mantido em 2,3%

Apesar da deterioração do cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve a projeção de crescimento econômico para este ano em 2,3%. Para 2027, a expectativa também foi preservada em 2,6%. A equipe econômica avalia que a atividade econômica deverá desacelerar nos próximos trimestres devido à política monetária restritiva, mas com uma recuperação gradual no fim do ano.

A SPE informou que, no primeiro trimestre, a projeção agregada foi preservada com mudanças na composição: a indústria contribuiu menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição. A previsão é de desaceleração mais forte no segundo e terceiro trimestres, seguida por uma recuperação parcial da indústria no fim do ano.

Mercado financeiro diverge das projeções oficiais

As estimativas do governo divergem das projeções do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas projetam uma inflação de 4,92% para este ano e um crescimento econômico de 1,85%.

A SPE continua acompanhando os riscos internacionais e destaca a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como fator de sustentação da atividade econômica.

Alta do petróleo pode gerar R$ 8,5 bilhões extras de arrecadação

A elevação dos preços do petróleo também deve reforçar as receitas do governo federal. Cálculos da SPE indicam que o choque nos preços da commodity pode gerar um aumento de cerca de R$ 8,5 bilhões por mês em arrecadação. Este valor considera receitas de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero.

“O ganho arrecadatório viabiliza uma resposta fiscal firme e responsável, aliada da política monetária e do compromisso com a consolidação em curso”, destacou a SPE.

Com informações da Agência Brasil

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