O consumo nos supermercados brasileiros registrou um crescimento de 1,92% no primeiro trimestre do ano. O desempenho positivo foi impulsionado pela entrada de recursos na economia, incluindo o pagamento do Bolsa Família e do PIS/PASEP, que injetaram bilhões de reais no mercado. Em março, o Bolsa Família beneficiou 18,73 milhões de lares com R$ 12,77 bilhões, enquanto o segundo lote do PIS/PASEP adicionou cerca de R$ 2,5 bilhões.
Cesta de compras mais cara em março
Apesar do aumento no consumo, o custo da cesta de compras apresentou alta. O indicador Abrasmercado, que monitora 35 produtos de consumo, subiu 2,20% em março. A cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54 no mês. Essa variação foi influenciada por aumentos significativos em produtos básicos como feijão (+15,40%) e leite longa vida (+11,74%). No acumulado do trimestre, o feijão avançou 28,11% e o leite longa vida 6,80%.
Variações de preços em produtos básicos e proteínas
Outros produtos básicos que registraram alta incluem massa sêmola de espaguete (+0,91%), margarina cremosa (+0,84%) e farinha de mandioca (+0,69%). Em contrapartida, açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%) apresentaram queda.
No setor de proteínas, ovos (+6,65%) e carne bovina (traseiro +3,01%; dianteiro +1,12%) subiram de preço. Frango congelado (-1,33%) e pernil (-0,85%) tiveram redução. No trimestre, a carne bovina do corte traseiro acumulou alta de 6,29%.
Alimentos in natura e itens de higiene e limpeza
Alimentos in natura como tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%) tiveram as maiores elevações em março. No acumulado do trimestre, esses itens subiram respectivamente 45,43%, 14,06% e 14,04%, refletindo sazonalidade e oferta.
Itens de higiene pessoal, como sabonete (+0,43%) e xampu (+0,34%), também ficaram mais caros. Na limpeza doméstica, detergente líquido para louças (+0,90%) e desinfetante (+0,74%) apresentaram alta, com exceção do sabão em pó (-0,29%).
Desempenho regional e expectativas para o segundo trimestre
A região Nordeste liderou a alta de preços em março, com uma variação de 2,49% na cesta de compras, que passou de R$ 720,53 para R$ 738,47.
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) projeta que o consumo continue aquecido no segundo trimestre, em virtude da antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, com previsão de R$ 78,2 bilhões em pagamentos. Adicionalmente, o primeiro lote de restituições do Imposto de Renda de 2026, estimado em R$ 16 bilhões, também deve impulsionar o consumo.
A entidade alerta, no entanto, para potenciais pressões de custos e logísticas, especialmente no cenário internacional e nos preços de alimentos sensíveis ao clima e à oferta. A alta do petróleo e o encarecimento do transporte podem impactar os custos de reposição e serem repassados aos consumidores.
Com informações da Agência Brasil



