O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, destacando o país como um dos poucos com projeção positiva em meio a um cenário global mais desafiador. A instituição atribui esse desempenho ao aumento das receitas com exportações de petróleo e outras commodities.
Guerra no Golfo e inflação global em foco
O FMI considera que o conflito no Oriente Médio representa um risco maior para a economia global do que choques comerciais recentes. O economista-chefe da instituição, Pierre-Olivier Gourinchas, alertou que a escalada no Golfo Pérsico pode ter efeitos significativamente mais graves do que o previsto inicialmente.
No cenário base, o conflito teria duração limitada e o preço médio do petróleo ficaria em torno de US$ 82 por barril em 2026, ainda assim levando a uma desaceleração global. Um cenário mais adverso, com petróleo acima de US$ 100 por barril até 2027, poderia aproximar o mundo de uma recessão.
Em uma hipótese mais severa, com o preço do barril chegando a US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027, a inflação global ultrapassaria 6%, forçando novos apertos monetários pelos bancos centrais.
Brasil se destaca em meio à desaceleração
Apesar das incertezas externas, o Brasil se destaca com revisão positiva nas projeções. No entanto, o crescimento brasileiro esperado para 2027 é de 2%, uma leve queda em relação à estimativa anterior, refletindo a desaceleração global, custos de insumos mais altos e condições financeiras mais restritivas.
O FMI ressalta que fatores como elevadas reservas internacionais, menor dependência de dívida em moeda estrangeira e câmbio flutuante oferecem ao Brasil maior resiliência a choques externos.
Projeções para as grandes economias
Os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026, com leve desaceleração no ano seguinte. A zona do euro enfrenta um cenário mais complicado, com crescimento projetado em cerca de 1,1%, pressionado pelos custos de energia.
A China tem previsão de expansão de 4,4% em 2026, enquanto o Japão mantém um crescimento modesto, próximo de 0,7%.
Fragilidade global e alívio pontual para o Brasil
As projeções do FMI consideram um cenário relativamente controlado para o conflito no Oriente Médio. No entanto, uma escalada mais intensa ou interrupções prolongadas no fornecimento de energia poderiam gerar efeitos significativamente mais severos no crescimento, inflação e mercados financeiros globais.
O relatório aponta que a economia global entra em um período de maior fragilidade e sensibilidade a choques geopolíticos. O desempenho positivo do Brasil é visto como um alívio pontual, mas dependente de fatores externos.
Com informações da Agência Brasil



