Guerra no Oriente Médio impulsiona IGP-M a 2,73% em abril, maior alta mensal desde maio de 2021

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido popularmente como “inflação do aluguel”, registrou em abril a maior alta mensal desde maio de 2021, atingindo 2,73%. O avanço é atribuído diretamente aos efeitos da guerra no Oriente Médio, que desestabilizou a oferta de commodities e elevou os custos de produção e transporte no Brasil.

Impacto direto no bolso

O economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, destacou que todos os índices que compõem o IGP-M sentiram o impacto do conflito geopolítico. “Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra”, explicou.

Os repasses em produtos da cadeia petroquímica, como embalagens plásticas, também foram relevantes para o varejo. Além disso, os preços ao consumidor refletiram significativamente a alta nos combustíveis.

Combustíveis em alta

A gasolina teve uma elevação média de 6,3% em abril, enquanto o óleo diesel disparou 14,9%. Essa escalada nos combustíveis não apenas afeta o custo direto do transporte, mas também se espalha por outros setores da economia, como o de alimentos, devido ao aumento do frete, uma vez que o diesel é o principal combustível dos caminhões.

Entendendo o IGP-M

O IGP-M é composto por três índices: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com peso de 60%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%.

Em abril, o IPA subiu 3,49%, o IPC avançou 0,94% e o INCC registrou alta de 1,04%. Entre os itens que mais pressionaram o IPC, destacam-se o tomate (13,44%), o óleo diesel (14,93%) e o leite tipo longa vida (9,20%). O grupo transporte, reflexo direto da alta dos combustíveis, expandiu 2,26%.

Guerra e o mercado internacional

O conflito no Oriente Médio, iniciado em fevereiro, afeta a logística da indústria do petróleo devido a retaliações como o bloqueio do Estreito de Ormuz. Essa passagem é vital para o transporte de cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás, impactando a oferta e os preços internacionais de petróleo e seus derivados.

O governo brasileiro tem implementado medidas para mitigar a escalada dos preços, como isenções fiscais e subsídios a produtores e importadores.

Com informações da Agência Brasil

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